Sergipe avança na cooperação com a Índia e projeta novas oportunidades de negócios

Sergipe avança na cooperação com a Índia e projeta novas oportunidades de negócios

Visita do embaixador indiano Dinesh Bhatia fortalece diálogo institucional e abre caminhos para parcerias em setores estratégicos da economia sergipana.

A Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), recebeu na última quarta-feira, 11, o embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia. Ele foi recepcionado pelo Governador Fábio Mitidieri, e secretários do estado, no Palácio dos Despachos. Também participou de reunião com representantes de setores estratégicos, na sede da Desenvolve-SE. A visita teve caráter institucional, voltada à ampliação das relações entre o estado e o país asiático. 
 
Durante a visita, foram destacadas as potencialidades em áreas como agroindústria, indústria de transformação, energia, educação, tecnologia e inovação. Por isso, o encontro teve a participação de representantes da Federação das Indústrias (FIES), da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Tiradentes (Unit) e do SergipeTec.
 
A Índia vem ganhando destaque nas relações com o Brasil, passando do 14º para o 5º principal parceiro comercial. Com trocas que envolvem suco de laranja e produtos têxteis, o país asiático já é o 8º parceiro de Sergipe. Com 1,5 bilhão de habitantes e PIB de US$ 4 trilhões, a Índia representa um mercado estratégico para expansão das exportações sergipanas.
 
Para o presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, receber o embaixador da Índia possibilita a ampliação do comércio. “É uma grande oportunidade para que Sergipe fortaleça os laços bilaterais, fortaleça o comércio e abra novas janelas para que os produtos sergipanos ganhem também espaço no mercado asiático”, destacou.
 
O diretor de atração de investimentos, Ademario Alves, destacou a importância de aprofundar áreas e setores específicos de cooperação, possibilitando o alinhamento de encaminhamentos concretos em áreas estratégicas, como inovação, startups, hidrogênio verde e minerais críticos. “Agora vamos elaborar um relatório com as possíveis parcerias e encaminhamentos a serem desenvolvidos entre Sergipe e a Índia. O documento será encaminhado à embaixada, com a expectativa de impulsionar novos negócios e gerar resultados positivos para o estado e para a economia sergipana”, destacou. 

Há oito meses no cargo, este é o primeiro contato do embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, com Sergipe. “Quero agradecer pela assistência e pela hospitalidade. Estou em Brasília desde o dia 1º de junho, há cerca de oito meses e meio. Tem sido um período de muito trabalho, porque a relação entre Índia e Brasil está em expansão, está crescendo. Além disso, estamos ampliando os temas de diálogo e fortalecendo ainda mais essa parceria”, afirmou.

Diálogo Aberto

A atuação da Desenvolve-SE reforça o posicionamento de Sergipe como um estado aberto ao diálogo internacional e à construção de parcerias estratégicas. Com o encaminhamento de propostas concretas e a consolidação de um canal direto com a embaixada indiana, o governo estadual dá mais um passo para ampliar a presença dos produtos sergipanos no mercado asiático, atrair investimentos e transformar o intercâmbio institucional em resultados práticos para o desenvolvimento econômico do estado.

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Nota técnica da Desenvolve-SE aponta crescimento das exportações sergipanas, liderança do complexo citrícola e novas oportunidades em setores como milho, etanol e derivados de frutas

O Governo do Estado recebe nesta quarta-feira, 11, o embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia. A recepção será feita pelo governador Fábio Mitidieri, no Palácio dos Despachos. Logo após, o embaixador indiano fará uma visita à Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE). Este será o primeiro contato de Bhatia com Sergipe, diante de um contexto de transformação na relação comercial entre o estado e o país sul-asiático nos últimos anos. Por isso, o momento é considerado estratégico para ampliar negócios, atrair investimentos e diversificar as exportações sergipanas.

O crescimento consistente das exportações sergipanas desde 2023 sinaliza a consolidação de novos setores estratégicos, especialmente no complexo citrícola. Os dados integram a Nota Técnica ‘A Relação Bilateral Sergipe – Índia’, elaborada pela economista de Inteligência de Mercado da Desenvolve-SE, Sudanês Pereira, que analisa o período de 2020 a 2025.

Para o presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, a análise mostra que há espaço real para ampliar essa parceria e posicionar Sergipe de forma mais competitiva. “Nosso papel, enquanto agência de desenvolvimento, é abrir caminhos: aproximar empresários, facilitar conexões internacionais, apoiar a qualificação técnica dos produtos e incentivar que nossas cadeias produtivas avancem para etapas de maior valor agregado”, afirma.

Avanço nas exportações

Entre estes anos, a corrente de comércio entre Sergipe e Índia totalizou US$ 54,1 milhões. As importações somaram US$ 46,9 milhões, enquanto as exportações alcançaram US$ 7,1 milhões.

Apesar do déficit estrutural, o dado mais relevante é o avanço recente das vendas externas para a Índia. Isso porque, a partir de 2023, Sergipe passou a registrar crescimento acelerado de exportações, alcançando US$ 3,6 milhões em 2025 — o maior valor da série histórica.

Desta forma, a Índia já representa 0,85% das exportações totais do estado, percentual ainda modesto, mas em expansão.

Complexo citrícola

O principal ativo estratégico da relação exportadora Sergipe-Índia é o complexo citrícola, responsável por 89% das exportações sergipanas para a Índia. Dois produtos dominam o fluxo. São eles: o limoneno, um composto orgânico natural extraído das cascas de frutas críticas, neste caso, da laranja, utilizado nas indústrias de alimentos, cosméticos e limpeza; e os óleos essenciais de laranja, também extraídos das cascas da laranja, para aplicação nos setores cosmético e alimentício.

Somente o limoneno acumulou US$ 5,29 milhões em exportações entre 2023 e 2025, consolidando-se como produto estratégico da pauta bilateral. Em 2025, os óleos essenciais também passaram a integrar as vendas externas de forma relevante. O avanço está alinhado a tendências globais, como a demanda por ingredientes naturais e produtos com ‘rótulo limpo’, especialmente nos mercados asiáticos.

Importações sergipanas

Se por um lado Sergipe amplia suas exportações, por outro a Índia mantém posição de destaque como fornecedora de insumos industriais. Por exemplo, o setor têxtil responde por 60% das importações sergipanas provenientes do país asiático, com destaque para fios texturizados de poliéster, utilizados na produção de tecidos técnicos, vestuário esportivo e aplicações industriais.

Essa estrutura revela uma relação assimétrica: Sergipe importa insumos e não exporta produtos têxteis acabados para o mercado indiano, evidenciando espaço para maior verticalização da cadeia produtiva.

Potencial exportador

Por meio do estudo de mercado da Desenvolve-SE, o Estado identifica três segmentos com potencial exportador ainda não explorado na relação com a Índia: milho, etanol de cana-de-açúcar, e sucos e derivados de frutas.

Sergipe possui alta produtividade agrícola e produziu mais de 4 milhões de toneladas de milho nos últimos anos. Em 2025, a Índia importou milho brasileiro no valor de US$ 3,3 milhões, abrindo oportunidade para o estado ampliar sua participação nesse mercado.

No mesmo ano, a Índia também importou do Brasil cerca de 21,8 milhões de litros de etanol, volume equivalente a 22% da produção anual sergipana. O estado possui produção e estrutura portuária que podem torná-lo alternativa logística aos grandes polos exportadores do Centro-Oeste e Sudeste.

Mesmo com forte produção de frutas tropicais, Sergipe não registrou exportações de sucos ou polpas para a Índia no período analisado. O mercado indiano, entretanto, importou derivados de frutas brasileiras, indicando espaço para inserção competitiva.

Acesse a nota técnica completa no endereço eletrônico: https://desenvolve.se.gov.br/wp-content/uploads/2026/02/Nota_Tecnica_02_2026_A_Relacao_Bilateral_Sergipe_India.pdf

Exportações de Sergipe para os Estados Unidos ultrapassam R$ 300 milhões no primeiro semestre de 2025

Exportações de Sergipe para os Estados Unidos ultrapassam R$ 300 milhões no primeiro semestre de 2025

Sergipe registra superávit inédito com país norte-americano, mas pode sofrer impactos de até R$ 550 milhões com aumento de tarifas sobre produtos brasileiros

O estado de Sergipe conquistou um feito histórico ao registrar superávit comercial com os Estados Unidos da América (EUA) no primeiro semestre deste ano. As exportações do estado para o mercado norte-americano somaram US$ 54,5 milhões no período (cerca de R$ 303,5 milhões), o que representou 31,35% de toda a pauta exportadora sergipana. Há apenas dois anos, esse percentual era de 3,72%. Com esse desempenho, Sergipe se posiciona como um dos 20 estados brasileiros que mais exportam para os EUA, com destaque para os segmentos de petróleo e sucos cítricos.

No entanto, a forte presença no mercado americano também acende um alerta: a imposição de tarifas de até 50% por parte dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode representar uma perda de até US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 550 milhões) para a economia estadual. Os principais produtos atingidos seriam o suco de laranja congelado, óleos essenciais cítricos e o óleo bruto de petróleo — juntos, eles representam quase 90% da pauta exportadora para os EUA.

O levantamento consta na nota técnica elaborada pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), que analisa os dados da balança comercial entre 2023 e 2025. Segundo o documento, o saldo comercial entre Sergipe e os EUA, que era negativo em mais de US$ 75 milhões em 2023, tornou-se positivo em US$ 16,7 milhões no primeiro semestre de 2025.

A análise aponta ainda uma elevada concentração das exportações sergipanas em poucos produtos e em um único mercado. O petróleo bruto e o suco de laranja respondem por 87,8% das vendas externas aos EUA. Do lado das importações, mais de 90% dos produtos adquiridos são insumos energéticos, como gás natural liquefeito e coque de petróleo.

Esse cenário de dependência — tanto de produtos quanto de mercados — torna a economia estadual mais vulnerável a choques externos. O estudo da Desenvolve-SE aponta que a imposição de tarifas comerciais pode comprometer diretamente a competitividade dos nossos produtos. Só no caso dos sucos cítricos, estima-se uma perda de receita de quase R$155 milhões, com impacto de até 0,25% no PIB de Sergipe.

Estratégias

Apesar dos riscos, a nota técnica também destaca caminhos promissores. Entre as sugestões, está a diversificação da pauta exportadora com foco na agregação de valor. Um dos exemplos é o aproveitamento de subprodutos da laranja, como óleos essenciais e farelos para ração animal, além da atração de indústrias de cosméticos e alimentos que utilizam esses insumos.

Outra frente proposta é a mobilização de empresas e instituições para participar da Chamada Nordeste, iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que pode financiar investimentos estratégicos em inovação, sustentabilidade e modernização industrial. A iniciativa pode representar uma saída viável para empresas atingidas pelas barreiras comerciais impostas pelos EUA.

Mesmo diante das ameaças tarifárias, os Estados Unidos seguem como o principal destino individual das exportações sergipanas. “Fomos pegos de surpresa, mas montamos um grupo de trabalho para mapear os impactos e traçar estratégias. O impacto será sentido, é inevitável, mas nosso papel é buscar alternativas. A Agência já iniciou contato com empresas da cadeia produtiva para ajudar na abertura de novos mercados e mitigar os efeitos.”, avalia o presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade.

A agência defende a criação de um grupo de trabalho permanente sobre comércio internacional em Sergipe, reunindo representantes do setor produtivo, instituições de crédito, universidades e órgãos de fomento. O objetivo é estruturar uma agenda integrada para fortalecer as exportações do estado com inteligência, inovação e sustentabilidade.

Confira na íntegra a Nota Técnica.

Última atualização: 19 de outubro de 2026 10:52 am.